sexta-feira, 11 de agosto de 2017

chaves para a consciência



A literatura mística, não tem a intenção de esclarecer quanto ao espírito (pois isto seria impossível), mas conduzi-Lo a um estado de consciência que permita a percepção direta.

Nossa mente só consegue criar esquemas fragmentados, sendo portanto incapaz de compreender a unidade.

Explicar é separar, apresentando características, dando atributos, usando adjetivos, sempre rebaixando a plenitude Daquilo que de fato é TUDO.

A Jñana Yoga tem esse objetivo, não de simplesmente explicar, mas nos conduzir a um estado superior de percepção, usando a combinação de signos, chaves para a libertação da consciência.

C

Pensamento de um teósofo australiano...


Meu amigo Barry, se apresenta como um fazendeiro australiano que aprendeu teosofia com a própria natureza.

Em um diálogo filosófico, concordamos que a natureza é O verdadeiro livro sagrado da natureza, o único que realmente importa.

Ele acredita que as palavras colocam um obstáculo entre nós e a realidade, pois nesse caso há o observador, a descrição, e a realidade, conta que quando removemos este elemento, resta somente nós e o mundo, possibilitando a identificação plena, ou união.

Ele insiste que a realização humana em qualquer nível, não passa de um simples movimento, um deslocamento da consciência, observação da mente, um estado natural, que vem naturalmente em seu próprio tempo.

Diz que as longas descrições e inúmeros passos para a realização, são para a mente, pois ela gosta de passos, porém a mente é o real problema, ou obstáculo, que impede esta realização plena.

Quando comentei que ele possuía um olhar muito profundo, que parecia atravessar a alma, ele respondeu que o segredo era: "poucos pensamentos e muito sentimento".

É um simples estado natural, ele insistia...

Foi certamente um grande aprendizado e oportunidade, conhecer alguém de tamanha simplicidade e lucidez, com profundos olhos azuis e nitidamente algum nível de realização interna.

C

domingo, 9 de julho de 2017

O verdadeiro trabalho das Lojas e Grupos Teosóficos


Para que possamos realizar com eficácia o trabalho teosófico, considero essencial que cada membro tenha uma compreensão mais ou menos precisa, da essência do trabalho de cada grupo ou loja da Sociedade Teosófica.

Há muitos que imaginam que somos uma espécie de "escola", e nossa função primordial seria ensinar este ou aquele conhecimento. É claro que a leitura, reflexão e mesmo o diálogo sobre filosofia esotérica fazem parte da nossa rotina nos grupos e lojas, porém mesmo este tem propósitos muito mais elevados do que a simples memorização ou aceitação de informações repassadas, pois estão focados no desenvolvimento de cada indivíduo, em muitos níveis.(1)

Como muito bem esclarecido na carta única do Maha Chochan(2), nosso propósito não é nos tornarmos nem uma escola de ocultismo, e muito menos de psicologia. Mas então, qual seria nossa real função? Segundo nosso 5º presidente internacional Sri Ram(3): "Ela foi fundada com o elevado propósito de promover a regeneração espiritual do ser humano".

Mas como poderíamos nós, humanos e imperfeitos como ainda somos, incompletos e em fase de aprendizagem e desenvolvimento, realizar esta importantíssima e colossal tarefa? Não seríamos nós ainda os aprendizes, muito longe da condição de mestres?

Cada um de nós, pode e deve tornar-se um veículo pelo qual a teosofia "flui", individualmente e principalmente em grupo. Isto não significa obviamente que nos tornaremos "sábios" da noite para o dia, isto aliás não é necessário. Basta estarmos disponíveis, e o mais "vazios" de nós mesmos que seja possível, para que o "Espírito da Verdade" nos "utilize", quando assim julgar necessário, nos momentos em que pudermos ser úteis para os demais.

Todos possuem qualidades divinas, não importa o quanto haja de confusões mentais e emocionais, estes são somente ruídos em nossa manifestação objetiva, uma vez que a mente e as emoções consigam se acalmar, e as condições mínimas sejam atendidas, os Santos Seres que zelam por toda a humanidade(4), irão derramar sua "graça" sobre nossas mentes, temporariamente.

Eu diria resumidamente, que o papel de cada posto de trabalho, grupo ou loja, seria manter a porta aberta e a luz acesa, para que qualquer buscador sincero possa ter acesso.

Somos "guardiões" desta sabedoria no planeta, e trabalhamos com as ferramentas que temos disponíveis. Um grupo ou uma loja teosófica, deve ser um porto seguro, onde o buscador pode encontrar não somente informações valiosas para o aceleramento de seu desenvolvimento (e consequentemente o alívio do sofrimento para si mesmo e dos seus semelhantes), mas também apoio, afeto, compreensão, um ponto de força.

Ali cada um deve ser bem recebido, ouvido, amparado, e na medida de nossas possibilidades, instruído. O quanto cada indivíduo será capaz de assimilar ou aproveitar, ou mesmo se dará continuidade a este desenvolvimento ou não, não cabe a nós mensurar, definir ou julgar. Nosso trabalho como muito bem disse o Mestre K.H. na carta 111(5): 

"o dever do teosofista é como o do agricultor; abrir os sulcos e semear os seus grãos da melhor maneira possível: o resto é com a natureza, e ela é a escrava da Lei."

Temos como grupo, o dever de nos tornar uma ferramenta viva do aprimoramento humano em diversos níveis, não estou falando somente em assimilação de conceitos metafísicos, mas também do aprendizado do convívio humano, do desenvolvimento (ou refinamento) de nossa própria humanidade. Não precisamos de poderes "paranormais" para auxiliar a humanidade que sofre, que segundo Mestre K.H. "é a única verdadeira órfã desse mundo", mas o "despertar" de habilidades aparentemente simples, como aprender a ouvir, capacidade de empatia, compaixão, etc.

Cada um de nós é um "templo" teosófico "ambulante", a ST não é somente os espaços físicos, os livros, ou a história de seu passado, mas principalmente o espírito vivo que habita cada um de seus membros. Somos todos nós o espírito da teosofia manifestado na Terra, na proporção que podemos suportar no momento, e juntos, se bem direcionados, mesmo sendo ainda "pequenos", podemos fazer grande diferença.

Cada posto de trabalho é como um "farol", um ponto de luz guiando, apontando o caminho em meio as trevas da ignorância, proporcionando a possibilidade de libertação dos indivíduos, da prisão de Maya.

C

1- O estudo da literatura teosófica, seja através da leitura, reflexão ou diálogo, é uma técnica de Jñana Yoga, também conhecida como Gnose, ou Yoga do Conhecimento, proporcionando um tipo de desenvolvimento, que vai muito além da simples memorização de informações;

2- A carta única do Maha Chohan pode ser conferida na obra: "Cartas dos Mestres de Sabedoria - Transcritas em compiladas por C. Jinarajadasa - Editora Teosófica;

3- Este trecho pode ser encontrado na obra: "O Verdadeiro Trabalho da Sociedade Teosófica", publicada em 2017 em língua portuguesa pela Editora Teosófica;

4- Os Mahatmas, Arhats, Adeptos, ou o que nossa literatura chama de Mestres de Sabedoria;

5- Cartas dos Mahatmas para A.P. Sinnett volume II - Editora Teosófica.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Paradigmas da Existência


A existência apresenta alguns paradigmas para resolvermos.

Um deles é que somos o objeto da nossa própria busca, procuramos fora algo que está dentro, e não pode ser visto, tocado, nem ao menos compreendido, só a percepção plena é capaz de identificar.

Outro, é que só quando nos perdermos em entrega ao todo, é que poderemos nos "encontrar"... Não há outro meio, o serviço é uma das chaves para a natureza se revelar.

O egoísmo só pode nos levar até um ponto, é útil nas primeiras etapas, para seguir adiante é necessário renúncia e entrega, ou como foi dito: "torne-se a senda".

Bom dia!

C